quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mil anos dos Judeus na Polônia

A Exposição Mil anos dos Judeus na Polônia, apresenta o passado e o presente dos judeus na Polônia e sua relevância na formação da identidade cultural do país, apresentando e descobrindo através da história judaica parte da própria identidade.

Imagem: Liege Ferreira

Para a organização da mostra a parceria foi do Consulado Geral da República da Polônia, Federação Israelita do Rio Grande do Sul, StudioClio – Instituto de Arte e Humanismo, Sala Redenção e Museu da UFRGS. Criada pelo Instituto Adam Mickiewicz de Varsóvia, a exposição inclui 60 painéis, filmes seguidos de debate e apresentações musicais, tendo como público alvo a comunidade em geral, com enfoque para estudantes, professores e formadores de opinião.



Imagem: Liege Ferreira

A Mostra busca promover uma "viagem no tempo". Da Idade Média até o presente, o público pode conhecer o apogeu da cultura ocidental judaica vivido na Polônia. Parte da programação conta a trajetória de vida de Irina Sendler - ativista da resistência polaca Anti-Holocausto, que Durante a II Guerra Mundial arriscou sua vida salvando mais de 2500 crianças judias. Também é a oportunidade para conhecer o nascimento da tradição Chassidica, o judaísmo ortodoxo.



Imagem: Liege Ferreira

A exposição já passou pela França, pelo Parlamento Europeu - Strasbourg e Curitiba, no Paraná. De Porto Alegre segue para São Paulo e Brasília. A visitação é gratuita. A curadoria é de Marili Berg e de Tiago Halewicz.



Imagem: Liege Ferreira

Lembrando: O que: Exposição Mil anos dos Judeus na Polônia

Quando: De 05 de maio a 26 de junho de 2009

Onde: Museu da UFRGS (Rua Osvaldo Aranha, 277 Campus Central Bom Fim)

Horário: De segunda a sexta, das 9h às 18h; Sábado e domingo, das 10h às 17h

Opinião:

A exposição Mil anos dos Judeus na Polônia me surpreendeu logo no início; quando cheguei no Museu da Universidade Federal estavam saindo do local mais ou menos umas 10 pessoas. Fiquei chocada, pois esse número de visitantes só acontece nas inaugurações e olhe lá. A maioria das mostras são freqüentadas por poucas pessoas. O diferencial dessa já começa aí, em entrevista, um dos mediadores, Mariano Bay de Araújo, 23 anos, do curso de filosofia, me contou que a média diária de visitantes é de 30 pessoas; as escolas, principalmente de ensino médio organizam grupos para ir conhecer a mostra, e os mediadores as recebem e vão explicando quadro por quadro. A média é de 7 escolas por semana e a idade dos visitantes em geral varia bastante, de 14 a 80 anos.

Imagem: Liege Ferreira

Mil anos dos Judeus na Polônia é uma exposição documental que conta a história milenar dos judeus na Polônia, a partir do século X até os dias de hoje. A exposição nos permite adentrar em mundo desconhecido da grande maioria, e também nos permite conhecer uma das mais intensas e ativas comunidades judaicas européias. Além de mostrar com muito respeito a história dos judeus poloneses exterminados durante o Holocausto nazista, a mostra honra a memória de mil anos da história e cultura judaicas inscritas no passado polonês, comprovando estar inseparavelmente ligada à própria identidade cultural polonesa.

A mostra nos traz o desenvolvimento dessa cultura na Polônia pré e pós-guerra, e o momento de reestruturação do país. A exposição apresenta vários pontos de anti-semitismo e perseguição dos judeus e em outros momentos a tentativa de integração dos judeus com os poloneses. Segundo Mariano, infelizmente ainda existe anti-semitismo na Polônia, e essa mostra foi feita para provar e tentar demonstrar com carinho a importância da cultura judaica no país, para aqueles que ainda insistem no preconceito. Só para lembrar, a idéia inicial da exposição começou na Polônia mesmo, produzida pelo instituto Adam Mickiewicz sediado em Varsóvia.



Imagem: Liege Ferreira

Conversei também com um visitante, Bruno Hoffmeister, 23 anos, estudante de Arquitetura da UFRGS. Bruno contou que o motivo de estar ali foi o interesse na própria arquitetura polonesa, já que são apresentadas diversas fotografias da cidade. O universitário pretende participar de um concurso que envolve desenhos do conjunto arquitetônico da Polônia, sendo assim, a mostra contribui um pouco para o seu imaginário do país. Bruno disse estar gostando bastante da visita, apesar de ambos terem concordado que a exposição, por ser de cunho histórico, é bastante densa, tem que estar disposto a algum tempo de leitura para aproveita-la.

Mil anos dos Judeus na Polônia também reúne material de algumas personalidades judias e polonesas que fizeram algum tipo de contribuição universal científica e artística, como Wladislaw Spilman, aquele pianista e compositor em que o diretor Roman Polanski, inspirado nos diários do artista, fez o filme “O Pianista”.



Imagem: Liege Ferreira

Outra coisa interessante para ser dita é como funcionou a programação paralela desse trabalho. Além dos painéis expostos, houve debates e palestras, e também aconteceu a exibição de filmes, vídeos e documentários como o “Irena Sendler - a mulher que salvou 2500 crianças” e “100 anos do Cinema Polonês”.

Gostei bastante dessa exposição por várias razões: é uma aula de História primeiramente, é simples e mesmo assim chama a atenção. E o bacana é que a produção dessa mostra conseguiu trazer outros diálogos para o evento como os filmes e os debates, que apesar de eu não ter participado, acredito que devem ter sido bem interessantes. Não poderia me esquecer de dizer qua cada visitante pode levar para sim um bloco de folhas nos quais estão impressas todas as fotos e o material em si dos quadros. Ideia essa ótima, pois guardamos não só como recordação, mas também como apoio de pesquisa. E para finalizar, fiquei bem contente em ver público no Museu.

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Liege Ferreira

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Temporada francesa na Casa de Cultura Mário Quintana promove exposição "O Lugar O Sujeito"

Em comemoração ao Ano da França no Brasil, a Embaixada da França juntamente com a Casa de Cultura Mario Quintana promovem uma temporada francesa na CCMQ. A exposição O Lugar O Sujeito - Le Lieu Le Sujet é uma das atividades da programação, com obras fotográficas que relacionam o sujeito com o lugar e questionam a relação deles com o tempo.

As imagens são de autoria de dois franceses e um brasileiro: Jacques Lalanne, Cláudio Santana e Pierre Gable. A reunião do trabalho do trio de artistas resulta em uma reflexão sobre a ligação da humanidade com o lugar mostrado nas fotos. Nas fotografias feitas por Lalanne a resposta para essa reflexão é crítica, no sentido da filosofia metafísica. É analítica, viva, aguda, sociologicamente culta e crítica no sentido da filosofia política no trabalho de Santana. E afetiva, amante, amorosa, irônica, e crítica no sentido da filosofia sensual, no trabalho de Gable.

Jacques Lalanne, é natural de Saint-Malo, nascido em 1967, e é fotógrafo e músico. Pierre Gable, nascido em Nancy em 1969, é fotógrafo e poeta. Já o gaúcho Cláudio Santana, nascido em Santana do Livramento em 1968, é escritor e fotógrafo.


Lembrando:

O que: Exposição O Lugar O Sujeito - Le Lieu Le Sujet

Quando: De 12 de maio a 1 de agosto de 2009

Onde: Casa de Cultura Mario Quintana - Espaço Mauricio Rosenbatt - 3º andar

Horário: Terça a sexta-feira das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados das 12h às 21h


OPINIÃO

Três visões diferentes para relacionar homem e espaço

O Lugar O Sujeito – Le Lieu Le Sujet expõe o trabalho dos fotógrafos Jacques Lalanne, Pierre Gable e Cláudio Santana que tem em comum a proposta de relacionar o homem com o lugar, questionando a relação destes com o tempo. Os dois primeiros franceses e o último, brasileiro e gaúcho, se apóiam nesta temática para expressar seus estilos bem distintos entre si. Lalanne deixa transparecer seu olhar vanguardista, mais puxado para a filosofia metafísica. Gable tem uma visão mais sensível e afetiva. Já o brasileiro Cláudio Santana, natural de Santana do Livramento, se inspira nas desigualdades do país para fazer uma analise crítica dos nossos problemas sociais.

As fotos de Lalanne são mais minimalistas e os leigos podem ter uma dificuldade maior para compreender aquilo que o artista quer dizer. Elas passam um sentimento de solidão e claustrofobia em suas imagens, o que acaba expressando este lado angustiante e negativo da ligação sujeito e lugar. 

Gable é o lado sentimental e feliz desta ligação. Com uma tendência oposta a de Lalanne, o fotografo apresenta imagens mais leves, como a de uma família na praia ou a de uma menina se divertindo no campo, sempre com bastante luz.


Já Cláudio Santana tem um estilo menos intimista que os franceses, unindo arte com critica social. Suas fotos foram tiradas no Rio de Janeiro, símbolo do Brasil em todos os sentidos. As primeiras fotos mostram crianças nos morros (em uma delas, um menino posa para o artista com um facão em punho). Depois, um pai e filho, já mostrados anteriormente nas fotos das favelas, aparecem observando a “cidade maravilhosa” de longe, distante dos belos pontos turísticos da cidade.

Enquanto visitávamos a exposição, apenas uma pessoa apareceu para ver as obras. A professora de Literatura, Carmen Hench, 46, conta que não tinha nenhum conhecimento sobre a mostra, mas gostou do que viu. “O banner da França me chamou a atenção. Gostei muito da foto da vovó e a do Rio de Janeiro. Eu gosto de fotos em preto e branco, aquelas (as de Jacques Lalanne) têm dissonâncias diferentes, parecem com fantasmas”. Ela lamentou o fato do público que vai à exposição ser tão baixo. “Acho que a nossa cultura não é direcionada a observar o outro”. As fotos dos artistas estão expostas em uma parede branca que, em contraste com as fotos em preto e branco, causam um efeito visual bem interessante.

A exposição, que é gratuita, está na Casa de Cultura Mario Quintana até o dia 1º de agosto e faz parte da “temporada francesa” no espaço, em homenagem ao Ano da França no Brasil

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Exposição divulga trabalho dos "Médicos Sem Fronteiras no Mundo"


Porto Alegre é a terceira cidade brasileira a receber a Exposição Interativa Médicos sem Fronteiras no Mundo, durante o mês de maio. A exposição, com entrada franca, tem o objetivo de divulgar o trabalho humanitário da organização Médicos Sem Fronteiras ( Medicins Sans Frontiers - MSF) pelo mundo.

A MSF é uma organização não-governamental internacional, independente e comprometida a levar ajuda médico-humanitária às pessoas necessitadas, além de tornar pública as situações enfrentadas por essas populações atendidas. A ONG foi fundada em 1971, por jovens médicos e jornalistas franceses que trabalhavam como voluntários na Biafra (região da Nigéria), que vivia à época uma situação de guerra civil.

Hoje, a organização atende mais de 60 países, com aproximadamente 350 projetos e tem como princípios e valores a neutralidade, a imparcialidade, a independência, a universalidade e a transparência. A MSF age em quatro frentes de “batalha”: epidemias, conflitos armados, catástrofes naturais e desnutrição. Em 1999, a MSF ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
A exposição é uma experiência multissensorial que mostra o que é ação humanitária, através de fotos, vídeos, mapas e atividades especiais. Um dos diferencias desta mostra é exatamente a possibilidade de interação com os visitantes (assista a vídeo-experiência no site da exposição).

Além da divulgação da organização, a exposição também presta conta aos doadores, que são 3,8 milhões no mundo, com 37 mil destes no Brasil. Porto Alegre foi uma das cidades escolhidas exatamente por ser um dos principais centros de doação no pais.

A exposição é realizada pela AW Comunicação, com apoio da editora Stamppa, Mica Card e a parceria da Prefeitura de Porto Alegre e do Mercado Público de Porto Alegre.


Lembrando:

O que: Exposição Interativa Médicos Sem Fronteira

Quando: De 07 a 30 de maio

Onde: Mercado Público de Porto Alegre

Horário: Segunda a sexta das 9h às 20h e sábado das 09h às 18h30min.


OPINIÃO

Solidariedade sem fronteiras

Localizada no segundo andar do Mercado Público, com bom acesso e chamando bastante atenção tanto pela importância quanto pela qualidade do material oferecido, a exposição interativa Médicos Sem Fronteiras (MSF) apresenta o trabalho feito pela organização ao redor do mundo. A mostra conta com uma bela exposição de fotos dos lugares atendidos pelo MSF, como a República Democrática do Congo que sofre com os surtos de cólera; o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que conta com cuidados de emergência e saúde mental na Fazendinha; e o Camboja, onde o grupo criou um centro de tratamento de HIV e tuberculose em 1979 que é considerado exemplo mundial por provar a viabilidade de tratar pacientes em contextos difíceis.

Fazendo jus ao nome de interativa, a exposição conta com uma Vídeo Experiência com opções de múltipla escolha que apresentam histórias e dados sobre a realidade e as ações do MSF. E ainda uma tela de TV com áudio e vídeo mostrando e explicando as atividades do grupo ao redor do mundo. Ambos os recursos incluem imagens chocantes e ao mesmo tempo belas, por evidenciar a solidariedade e importância da organização para a saúde nos mais variados lugares.

Uma das coisas mais interessantes da mostra são as mensagens de apoio deixadas pelos visitantes da exposição em um mapa que indica os lugares e as fotos dos profissionais que estao atuando nas ações humanitárias pelo mundo, demonstrando assim a preocupação, solidariedade e mobilização das pessoas em geral com a causa. Outros mapas são expostos, como o que indica as 10 maiores crises negligenciadas no mundo e países onde atuam o MSF, e um criativo mapa interativo com abas coloridas que podem ser puxados para mostrar quais países sofrem mais com a tuberculose, desnutrição, conflitos armados ou desastres naturais.

A Supervisora do Estande, Camila Bandeira, explica que a exposição é itinerante e já passou por São Paulo e Rio de Janeiro, com o intuito de divulgar o trabalho da organização. A próxima capital visitada será Belo Horizonte. "Para participar do Médicos Sem Fronteira a pessoa deve ser um profissional capacitado e formado, de preferencia que domine o inglês, para melhor comunicação. Mas qualquer um pode ser um doador ou voluntário, basta se cadastrar pelo site oficial”, diz Camila. Érica Rigo é voluntária e contou que Porto Alegre foi uma das capitais escolhidas pela organização por ser uma das cidades com mais doadores, e o movimento do público visitante está bastante satisfatório.

Enfim, a visita à exposição é uma experiência interessante e educativa, rica em informações. Trata-se de um assunto importante para o mundo e para as pessoas que necessitam de ajuda. É mais uma atitude de solidariedade que deve ser apreciada e exaltada. Portanto, vale a pena conferir e, se possível aderir a essa nobre causa.

Fotos: Caroline Motta

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Usina do Gasômetro 80 anos

A exposição Usina do Gasômetro 80 Anos marca as oito décadas de existência do maior pólo cultural da cidade. A construção que hoje abriga o Centro Cultural Usina do Gasômetro tem 11.300 m² e recebe um milhão de visitantes a cada ano.


Imagem: Liege Ferreira

Na mostra o visitante conhece em detalhes a história do prédio, que nasceu como termelétrica e atualmente é uma usina de arte. Ao examinar o arquivo do jornal Correio do Povo, o historiador William Keffer descobriu que a Usina começou a operar em 15 de novembro de 1928, e não em 11 de novembro, como se pensava. Keffer é o responsável pela pesquisa e consultoria histórica da exposição.

Nos primeiros anos de funcionamento da Usina, a fuligem da fumaça produzida pela queima do carvão chegava a escurecer telhados de construções dos arredores, além de prejudicar a saúde de seus habitantes. Assim, devido aos protestos da população, foi erguida em 1937, no governo de Alberto Bins, a chaminé de 101 metros de altura e oito de diâmetro em concreto armado, com o uso da técnica então revolucionária das formas deslizantes e revestimento interno de tijolos refratários vitrificados.


Imagem:HEstudio

Esse e outros momentos da história do Centro Cultural estão contemplados na exposição, que ocupa o térreo e o mezanino da Usina: A parte chamada A História na Usina, no pavimento térreo retrata a trajetória desta edificação tão importante como marco urbano na cidade. Este percurso expositivo é dividido em cinco setores: o primeiro setor conta a história da Usina do Gasômetro na concepção inicial do edifício, quando funcionava como Usina de Energia. Além de textos e fotos da época, há uma mostra de objetos daquele período. No segundo setor, é contada a história do período de abandono, e o terceiro setor mostra o período de restauração. O quarto setor relembra o momento em que a Usina se tornou um espaço cultural.


Imagem: Thais Maciel

A Usina na História é o título do segundo percurso expositivo, localizado no mezanino. Ali, a proposta é realizar um resgate histórico dos principais eventos ocorridos no mundo, no Brasil e em Porto Alegre ao longo dos últimos 80 anos, buscando inserir a Usina do Gasômetro nestes diferentes contextos. Uma linha do tempo unifica os painéis, que trazem textos e imagens históricas divididas por décadas (anos 20 até os anos 2000), além de nichos temáticos que mostram elementos destes períodos. A mostra é finalizada com apontamentos a respeito do futuro da Usina do Gasômetro.

Lembrando:

O que: Exposição Usina do Gasômetro 80 anos

Quando: De 27 de novembro a 01 maio

Onde: Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551)

Horário: Ter, Qua, Qui, Sex, Sab e Dom das 9h às 21h

Opinião

Nesse último final de semana fui visitar a Usina para me inscrever em uma oficina de malabares. Ao entrar, me deparei com a exposição comemorativa do aniversário de 80 anos da antiga termoelétrica. O que mais chama a nossa atenção, é com certeza o design, a disposição dos elementos que fazem parte dessa mostra. Nos dois andares em que é apresentada, meio que nos perdemos em um labirinto histórico, em que grandes painéis tomam conta do ambiente, onde as cores, belas fotografias, instalações e objetos inusitados, têm presença confirmada. Paredes com cortes propositais nos fazem ver a exposição de diversas formas.


Imagem: Liege Ferreira

Para quem se interessa por história e fotografia, vale muito à pena dar uma conferida. Um apanhado geral da história da Usina, da nossa cidade e do Brasil também. Ao mesmo tempo em que lemos nos grandes painéis uma síntese de cada época, dos anos 20 aos anos 2000, acontecimentos importantes como a Ditadura Militar tem maior espaço de abordagem; fragmentos de escritos de jornalistas, teatrólogos, pensadores, entre outros, também tem espaço reservado.


Imagem: Liege Ferreira

Outra coisa passível de ser abordada sobre essa exposição, é do porquê que ela é tão pouco visitada. Acredito ser pertinente pensarmos no motivo da falta de divulgação de eventos interessantes como esse para o grande público. A gente só fica sabendo por acaso mesmo. Nesse dia tinham dois casais e um senhor apenas. Me lembro que no aniversário comemorativo da RBS a Usina estava cheia de visitantes. Então eu penso, que mal faria divulgar mais esses acontecimentos na televisão, por exemplo, já que é o meio de comunicação de maior alcance. Devaneio ou não, seria interessante e produtivo a arte, do tipo que for, alcançar mais pessoas.

Perguntei para menina que trabalha na exposição, levando as pessoas para conhecê-la e explicando os conteúdos expostos, se a média de visitação era alta, média ou baixa. A resposta foi média, mas devido ao acaso digamos, pois quem passa por ali, pára para dar uma olhadinha. Algumas escolas têm a ótima ideia de levar seus alunos para visitar a exposição, uma grande coisa, já que nossos colégios, principalmente os do Estado, não tem muito esse costume de levar os estudantes para mostras, ou quando o fazem, é muito de vez em quando.


Imagem: Liege Ferreira

A Usina do Gasômetro é um espaço incrível, que abriga um grande pólo fomentador de arte. Infelizmente, existem locais em Porto Alegre com potencial enorme para abrigar os artistas e as artes que estão praticamente abandonados. Não é compreensível então, porque que vários grupos de teatro, circo e dança não têm lugar para ensaiar. Fica a indagação.

A mostra de aniversário fica exposta por mais algumas semanas, ainda dá tempo de passar por ali para prestigiar um trabalho importante e bem feito, e também aproveitar aquele pôr-do-sol com um chimarrão para não perder o costume!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A beleza do rural e do urbano no aniversário da capital

No dia 26 de março Porto Alegre completou 237 anos. Nesta mesma data, começou no Barra Shopping Sul uma mostra cultural homenageando a cidade. A exposição fotográfica “Porto Alegre – Cenas Urbanas, Paisagens Rurais”, de Eurico Salis, é composta de 18 imagens que fazem parte do livro de mesmo título e contempla o cotidiano da capital gaúcha e suas cidades vizinhas.

O experiente fotógrafo Salis selecionou cenas do dia-a-dia da Grande Porto Alegre e contrastou o urbano com o rural, em fotos tiradas entre os anos de 2006 e 2008. Seu livro conta com 155 imagens coloridas, em 168 páginas que incluem textos inéditos de personalidades renomadas como Moacyr Scliar, Ruy Carlos Ostermann, Luiz Coronel, Carlos Urbim, Luís Augusto Fischer e Antonio Augusto Fagundes, sobre a capital e suas paisagens diversas. No ano passado, o livro conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura em Melhor Projeto Gráfico.

Com o slogan “Feliz Aniversário, Porto Alegre. Nosso presente enche os olhos da cidade inteira.”, a exposição premia seus visitantes com belas fotografias de locais como a Rua dos Andradas, Cais do Porto, Morro da Polícia, Ilha da Pintada, Avenida Borges de Medeiros, paisagens rurais de Belém Velho, orla do Guaíba, Usina do Gasômetro, além de parques, praças, edifícios e paisagens noturnas da capital gaúcha.

A mostra está localizada na Praça Central do Barra Shopping Sul, na Avenida Diário de Notícias, 300. Trata-se de uma exposição completamente grátis e poderá ser vista até o dia 26 de abril, de segunda a domingo, das 11h às 23h.


Lembrando:

O que: Exposição fotográfica "Porto Alegre: Cenas Urbanas, Paisagens Rurais", de Eurico Salis.

Quando: De 26 de março a 26 de abril.

Onde: Praça Central do Barra Shopping Sul (Avenida Diário de Notícias, 300).

Horário: De segunda-feira a domingo, das 11h às 23h.


OPINIÃO

Retratos de uma cidade que não para

Passada a semana de Porto Alegre, restam ainda algumas exposições que celebram a cidade. Um exemplo é Porto Alegre – Cenas Urbanas, Paisagens Rurais, que traz algumas belas imagens presentes no premiado livro homônimo, de Eurico Salis. A mostra fotográfica retrata a capital através do olhar do autor em 18 fotos, que se revezam entre alguns dos princiais pontos da cidade, alguns naturais e outros frutos da criação humana. O autor retrata o dia-a-dia de uma forma bastante própria, a antiga Porto dos Casais é retratada em algumas das imagens, como se tivesse vida própria.

A exposição se encontra próxima à praça de alimentação do BarraShoppingSul e pode passar desapercebida pelos menos avisados (enquanto procurava por ela, eu mesmo descobri que já havia passado pelo local sem notá-la). Mas essa "timidez" não compromete o resultado e a grandeza de algumas das imagens. A sensação, ao fim, é de que 18 fotos são poucas e a procura pelo livro deve aumentar bastante. Desta forma, Salis é bem sucedido em sua proposta.

O público que passa para dar uma conferida, mostra gostar bastante das imagens. O policial militar Gilberto Viegas, que observava uma foto do Morro da Polícia, diz que se identificou por conhecer o local fotografado e que achou o trabalho ali exposto muito bonito. Já o publicitário Edir Milane ressalta que achou interessante por trazer ângulos inusitados, de forma que ele nem reconhecia que se tratava de algum lugar de Porto Alegre. Ambos desconheciam o autor, mas afirmaram que por terem se interessado pelas obras e pretendem se informar sobre outros trabalhos de Salis, incluindo o livro que originou a mostra.

As peças estão disponíveis sobre o desenho de uma rosa-dos-ventos no piso, causando um interessante efeito visual - principalmente para quem observa a à distância, no andar acima (veja na foto). E, de fato, não custa nada fazer uma visita à mostra, que é gratuita. Mas vale principalmente pelo conteúdo, que revela um ligação bastante sentimental entre o artista e a cidade. O passeio surge como sendo uma boa oportunidade para aqueles que estão cansados de toda a rotina estressante de uma cidade grande. Estes podem parar, respirar e, caso consigam entrar no clima proposto, enxergar uma certa beleza em todo esse caos urbano diário. Nem que seja por alguns minutos.

Pequena amostra da exposição:

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bienvenidos

O Mostra Cultural é um blog que trará informações, entrevistas, imagens e vídeos sob uma perspectiva crítica do universo cultural portoalegrense — exposições de artes plásticas, fotografia, videoarte, entre outros.

Colaboram com o blog os estudantes de Jornalismo da PUCRS Caroline Motta, Liege Ferreira e Teófilo Menezes.